20 de Maio de 2013

Aprenda com Martin Luther King

Publicado por Paulo Moura Em 29 - agosto - 2012 ADD COMMENTS

Autora dos beste sellers Slide: Ology  e Resonate, Nancy Duarte é a fundadora da Duarte Design, uma empresa que fica na Califórnia e tem uma especialidade e tanto: seus 50 funcionários são considerados os maiores experts do mundo em PowerPoint.

Eis uma prova disso – me convenceu! Ex-vice-presidente e candidato derrotado nas eleições de 2000 nos Estados Unidos, Al Gore procurou a Duarte Design. Tinha fama de ser meio chato e falar como um robô. Queria, em suma, melhorar o visual de uma apresentação que vinha fazendo pelo país falando sobre os riscos do aquecimento global. Centenas de horas de trabalho depois, os 266 slides ficaram tão bem editados que acabaram  virando filme: Uma Verdade Inconveniente (2006), que acabou levando o Oscar de Melhor Documentário. Foi o primeiro longa-metragem inteiramente baseado em uma apresentação de PowerPoint (na verdade, eles usaram o Apple Keynote, uma imitação melhorada do programa da Microsoft).

Pois bem, vamos ao motivo desse post. Nancy acaba de gravar um vídeo, reproduzido no Explore – da genial Maria Popova – onde analisa o legendário discurso ‘I have a dream’ de Martin Luther King, que está completando o aniversário de 49 anos. Se você acha que pelo menos uma vez na sua vida terá que fazer alguma apresentação em público, assista, ou melhor, incorpore!

Martin Luther King Jr.’s speech analyzed by Nancy Duarte from Duarte on Vimeo.

 

Sustentabilidade jornalística

Publicado por Virta Em 16 - julho - 2012 ADD COMMENTS

Sustentabilidade virou palavra da moda. Primeiro foi no ambientalismo, depois contagiou os economistas e agora chega ao jornalismo já não mais como um problema alheio, mas como um dilema profissional.

Até agora a sobrevivência de um jornalista dependia do seu salário ou dos pagamentos avulsos.  Os salários estão minguando tanto em valor como em frequência, enquanto os chamados frilas são numerosos, mas cada vez mais desvalorizados. Há jornalistas demais no mercado para trabalhos mal remunerados.

Este é um problema globalizado que afeta profissionais tanto de países ricos como de nações emergentes, como nós.  Se o problema do desemprego já é grave para os jornalistas mais jovens e digitalizados,  ele se transforma num dilema existencial para a maioria dos que superaram a marca dos  55 anos, faixa etária na qual o profissional  alcança as condições ideais de experiência e conhecimento para exercer sua função.

Toda uma geração de jornalistas está sendo expulsa do mercado pelo desemprego e pela falta de intimidade com as novas tecnologias, gerando um gap de conhecimento que aparece claramente na produção de matérias jornalísticas. Os mais novos patinam na inexperiência e nos modismos tecnológicos, enquanto os mais velhos se agarram a empregos em vias de extinção, culpando a tecnologia pelas suas agruras.

O norte-americano Tom Stites conhece bem esta realidade. Já passou por grandes jornais em seu país, ganhou duas vezes o premio Pullitzer, e no auge de sua maturidade profissional passou a enfrentar o que ele chamou de “deserto informativo”. Compartilhou também as dificuldades de colegas na mesma faixa etária para sobreviver profissionalmente.

Em 2010, ele e um grupo de amigos jornalistas decidiram partir para uma aventura. Enquanto uns compram uma motocicleta e saem por ai, o grupo de Stites resolveu criar um sonho jornalístico com a preocupação de combinar produção informativa independente e sustentabilidade econômica.

Assim nasceu o projeto Banyan, cuja meta é desenvolver um modelo jornalístico que não dependa apenas da renda de salários e nem do pagamento de frilas. A ideia básica é a de que a crise dos jornais reduziu o volume de notícias jornalísticas oferecido ao público criando um déficit noticioso, especialmente em nível local e hiperlocal,  batizado como “deserto informativo”.

A produção de notícias locais e hiperlocais já é um campo relativamente explorado por várias experiências, algumas com êxito relativo e outras fracassadas. Geralmente a origem do insucesso está na falta de condições financeiras para manter o projeto, porque quase todas as iniciativas decolam apoiadas quase que exclusivamente em algum tipo de financiamento de algum mecenas.

O projeto Banyan é baseado numa estrutura cooperativista entre jornalistas e o público, em pequenas cidades ou bairros de metrópoles, com uma lista de cinco possíveis fontes de renda. O projeto começou a ser testado na cidade de Haverhill (60 mil habitantes), no estado de Massachusetts, e depois será oferecido como um pacote quem quiser aplicá-lo.

O público funciona como informante permanente, ao mesmo tempo em que paga pelo acesso às informações. Os jornalistas recolhem, conferem, editam e publicam o material informativo sendoremunerados proporcionalmente às receitas, que estão distribuídas entre  publicidade convencional , contribuições dos membros da cooperativa,  doações independentes,  financiamentos de fundações privadas e instâncias governamentais,  e trocas diretas (escambo).

A aventura de Tom Stites e seus 27 colegas, em sua maioria grisalhos,  ainda está longe de ser considerada um modelo, mas tem um mérito que a distingue de dezenas de outras experiências similares de produção jornalística não industrial.  Ela coloca desde o início a sustentabilidade como condição de trabalho.

Isso leva o foco das preocupações com o futuro do jornalismo para um novo terreno, onde a mudança de valores e rotinas é ainda mais radical do que a imposta pelas novas tecnologias no quotidiano das redações.  Não há mais dúvidas de que o jornalismo deixou de ser um grande negócio e gerar lucros astronômicos. Sendo assim, ele perde atrativos para os investidores interessados em retorno do capital aplicado.

A publicidade, que até agora era a grande responsável pelas receitas financeiras da indústria jornalística, está migrando para a internet e seu modelo de negócios muda aceleradamente para o relacionamento individualizado com o consumidor,  em vez da estratégia uma mensagem para milhares de indivíduos.

Sobra para os jornalistas a opção de descobrir a sua própria alternativa tirando leite de pedra. Aqui entramos no terreno das possibilidades, pois muito pouca coisa foi testada. A questão principal é que o modelo salarial não pode ser mais tomado como regra geral.  A busca da sobrevivência no deserto informativo está levando muitos profissionais a avaliar a alternativa cooperativista como forma de viabilizar a sustentabilidade individual e do projeto com base numa combinação de dinheiro e troca direta — como, por exemplo, informação por supermercado.

A questão que o projeto Banyan terá que enfrentar, por paradoxal que pareça, não é nem tecnológica e nem financeira, mas cultural. Como fazer com que o dono da farmácia ou o prefeito aceitem o escambo sem impor condições sobre o material produzido pelos jornalistas?  Se esse hábito não for alterado, a credibilidade do projeto dificilmente estará em xeque e sua sobrevivência seriamente ameaçada. Daí é possível ver que a busca da sustentabilidade não é apenas uma questão técnica e também não depende apenas dos profissionais do jornalismo.

Este desafio vai obrigar os jornalistas a se reaproximar do público para o qual produz notícias.

Via Observatório da Imprensa

O tabu do Jornalismo Esportivo

Publicado por Lucas Vilaça Em 04 - maio - 2012 1 COMMENT

Um dos maiores segredos do jornalismo esportivo parece ter sido revelado. A edição de maio da revista VIP afirma ter descoberto quais os times dos mais importantes jornalistas esportivos do Brasil. A publicação diz que, entre os jornalistas, o Corinthians é o time com maior número de torcedores, seguido bem de perto pelo São Paulo e Flamengo. Mas será que essa revelação pode influenciar na imparcialidade dos jornalistas?

Na principal emissora do país, isso sempre foi um tabu, seus jornalistas nunca puderam revelar para que time torciam, e apesar de muita especulação nada havia sido divulgado, pelo menos até agora. Isso nos faz questionar se, para a imagem do profissional com o público, é melhor que ele seja visto como neutro nesse território tão delicado como o do esporte ou que um bom jornalista tenha a escolha e sabedoria de separar suas preferências pessoais do trabalho?

Não há dúvidas de que nos últimos anos o jornalismo esportivo tem passado por grandes transformações, mesmo na própria Globo. Seus programas esportivos têm passado por mudanças, ficando mais próximos do novo público, mais ativos na Internet e redes sociais e mais ligados a outros esportes, além o futebol. Nesse processo de mudança, os jornalistas têm ficado mais informais e próximos da audiência, e tem tido mais liberdade para expressar suas opiniões e ideias. Mas será que um profissional falando abertamente sobre suas preferências não iria atrapalhar no julgamento que o público faz sobre a ética do seu trabalho? Não, necessariamente.

Podemos citar, como exemplo, o comentarista esportivo Mauro Beting, que é palmeirense declarado e consegue se manter isento e imparcial nas suas opiniões, além de ser muito querido pela torcida dos outros times. Aliás, para a Band, seus jornalistas falarem abertamente sobre que time torcem, não parece ser nenhum problema, pois boa parte deles já declarou qual seu time do coração.

Confira abaixo a lista divulgada pela revista VIP com os supostos times dos mais importantes jornalistas esportivos do país.

Globo

Abel Neto – Santos
Arnaldo César Coelho – Flamengo
Caio Ribeiro – São Paulo
Casagrande – São Paulo
Cléber Machado – Santos
Fernanda Gentil – Flamengo
Galvão Bueno – Flamengo
José Roberto Wright – Fluminense
Luís Roberto – São Paulo
Mauro Naves – Corinthians
Milton Leite – Corinthians
Tiago Leifert – São Paulo

Band

Edmundo – Vasco
Luciano do Valle – Ponte Preta
Mauro Beting – Palmeiras
Milton Neves – Santos
Neto – Corinthians
Nivaldo Prieto – Palmeiras
Osmar de Oliveira – Corinthians

ESPN Brasil

André Kfouri – Corinthians
André Plihal – São Paulo
Antero Grecco – Palmeiras
Arnaldo Ribeiro – São Paulo
Cícero Melo – Fluminense
Fernando Calazans – Flamengo
Gian Oddi – Palmeiras
João Carlos Albuquerque – Santos
João Palomino – São Paulo
José Trajano – América-RJ
Juca Kfouri – Corinthians
Leonardo Bertozzi – Atlético-MG
Lúcio de Castro – Flamengo
Márcio Guedes – Botafogo
Mauro Cezar Pereira – Flamengo
Paulo “Amigão” Soares – São Paulo
Paulo Calçade – Corinthians
Paulo Vinícius Coelho – Palmeiras
Rodrigo Rodrigues – Flamengo

SporTV

Alberto Helena Jr. – São Paulo
Alex Escobar – Vasco ou América-RJ
André Lofredo – Corinthians
André Rizek – Corinthians
Carlos Cereto – Corinthians
Lédio Carmona – Vasco
Luis Carlos Jr. – Fluminense
Marcelo Barreto – Flamengo
Mauricio Noriega – Palmeiras
Paulo César Vasconcelos – Botafogo
Renato Mauricio Prado – Flamengo

A compra do Instagram no Jornal Nacional

Publicado por Paulo Moura Em 10 - abril - 2012 ADD COMMENTS

Trinta segundos. Nem isso. Esse foi o espaço destinado pelo telejornal mais assistido do país, o Jornal Nacional da Rede Globo, para o assunto mais falado na Internet nesta segunda-feira: a compra do Instagram pelo Facebook.

Levando-se em consideração que  temos aí um negócio bilionário e que envolve diretamente o Brasil, não só pelo elevado número de usuários das duas redes sociais por aqui, mas também pelo fato de o Instagram ter sido co-criado pelo paulistano Mike Krieger, que teria atualmente 10% da companhia, a nota simples lida por William Bonner parece, à primeira vista,desproporcional diante da dimensão do fato.

Ou não. Botando a cabeça um pouco para fora do ‘mundinho’, se é que isso ainda é possível, é pertinente questionar quão relevante é essa notícia para um público tão heterogêneo como o de um telejornal de TV aberta. Fico pensando no meu pai assistindo…

Aí você pergunta: mas o que interessa o espaço que o Jornal Nacional deu para isso? E eu te respondo: muito. Goste ou não, trata-se da maior referência jornalística do país, dado o número de pessoas que atinge e a sua incomparável repercussão.

Não é a primeira nem a segunda vez que nos vemos diante do mesmo fenômeno. O assunto que rende muito na web praticamente inexiste no noticiário televisivo. Curioso é perceber que a recíproca não é verdadeira, já que a Internet é pródiga em repercutir todo o material que os outros meios de comunicação disseminam, principalmente a TV.

A explicação básica para quem não quer mais um nó na cabeça: a Internet ainda está distante, muito distante da televisão em termos de penetração no país, portanto, nada mais natural do que a TV pautar a web e não o contrário. Partindo desse pressuposto e levando em consideração a curva cada vez mais acentuada do advento de novas tecnologias na nossa sociedade - vide o emblemático caso dos aparelhos celulares - é questão de tempo para termos mudanças na pauta do Jornal Nacional.

Agora, para quem aprecia ir um pouco além da superfície: é factível comparar os dois meios? Mais: a função social da Internet é a mesma da TV? Será um dia?

Não acredito, mas parece que voltamos ao McLuham que conhecemos na Faculdade e a velha história do meio ser a mensagem. Talvez, mas vale uma ressalva ainda aqui: a  fonte da notícia da compra do Instagram pelo Facebook foi dada pelo próprio Mark Zuckerberg em seu perfil na rede social. Bastou isso para ser disseminada no mundo inteiro. Simples assim.

E se ele estivesse mentindo? E se fosse uma grande brincadeira? E se alguém tivesse pegado o login e a senha dele? Alguém falou aí em jornalismo?

Emissor? Receptor? Meio? Mensagem? Acho que só resta mesmo apelar para as reticências para encerrar esse post, afinal de contas já ficou muito extenso para a Internet. Se fosse para TV então, nem fale…

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